LA PRESENZA DELLA CONGREGAZIONE SACRA FAMIGLIA DI NAZARETH NEL MONDO
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lunedì 15 luglio 2013

290 - QUEM O CONHECEU ASSIM FALOU DELE

Primeiro encontro com padre Piamarta - Pier Giordano Cabra

“Quais prodígios de caridade, de prudência, de sabedoria, de zelo verdadeiramente cristão, Padre João Piamarta nos mostrou no decorrer de meio século de vida laboriosa!
Ele é o sacerdote que requer os novos tempos, não preocupado consigo mesmo, entregue somente ao bem dos ouros sem distinção, especialmente pela juventude.
Viveu longe das lutas partidárias e políticas, pronto a estender as mãos amigas àqueles que amam o bem, a esquecer as ofensas e a retribuir com benefícios. Nasceu pobre, viveu pobre e pobre ultrapassou os setenta anos.
Com raro exemplo cativou a simpatia e o afeto de todos.
Quantos jovens reconduziu ao reto caminho!
Quantos pais consolou, devolvendo-lhes os seus filhos renovados pelo trabalho e pela piedade cristã!”.
                                                                                              (Mons. Geremia Bonomelli)
 
 
“O coração de Padre Piamarta não se conformou somente na procura das crianças: era demasiadamente grande para não vibrar ao lado de todas as esperanças e de todo o valor dos homens.
Para os errantes ele foi o padre que encarna em si a bondade e a misericórdia do Senhor. Padre Piamarta é um daqueles homens que deixam para os séculos um crescente patrimônio de bem e que ensinam a mim e a todos uma lição muito importante que é esta: enquanto os sinos anunciam o declinar de todas as grandezas, sobre uma só, a santidade, continuam o seu canto de glória”.
                                                                                                 (Mons. Egidio Melchiorri)

 
“Sempre admirei a infinita caridade do Padre Piamarta, e sempre fiquei maravilhado como uma alma simples, como era a do Padre, fosse iluminada por uma clareza de visão, superior a toda cultura”.
                                                                                               (Adv. Marco Trabucchi)
 

sabato 13 luglio 2013

287 - DEPOIS DE CEM ANOS

Primeiro encontro com padre Piamarta - Pier Giordano Cabra

Capítulo Décimo Primeiro

1.     Os santos não vivem somente em Deus, mas continuam  vivendo nas suas obras, nos seus ensinamentos, na memória daqueles que os conheceram, no coração dos beneficiados. Padre Piamarta deixou uma família religiosa que continua a obra dele, cultiva a sua memória, o torna vivo agindo segundo o seu espírito.

2.     No seu testamento tinha assegurado que acompanharia  os continuadores da sua obra “do seio de Jesus Bendito” e previa a “contínua e progressiva prosperidade” daquilo que havia iniciado.

3.     Depois de cem anos Padre. Piamarta continua atuante entre os jovens na Itália, no Brasil, no Chile, em Angola, no Moçambique, nos centros de acolhida, nos centros de formação profissional, na assistência aos “meninos de rua”, nos bairros mais pobres, nas escolas, nas paróquias, nos internatos. Sempre com os jovens e para os jovens. Sempre à luz do programa evangélico: “Tudo aquilo que fizestes a um destes pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes”.

     4. A marca característica de Padre Piamarta é perceptível pelo espírito de família e pela colaboração com os leigos. A sua Congregação é intitulada Santa Família de Nazareth e os seus componentes empenham-se em viver como família afrontando a educação como se faria numa boa família, com a necessária compreensão dos problemas dos meninos, mas também exigindo deles toda a sua colaboração cultivando o sentido da responsabilidade.

    5. A colaboração dos leigos é fruto da ampliação da família religiosa, que envolve nas suas diversas finalidades e competências, generosas energias, ex-alunos que praticam a “gratidão como máxima virtude”, corações sensíveis aos sofrimentos dos mais pobres, pessoas de visão ampla, convencidas de que a educação é a tarefa mais importante e decisiva do mundo de hoje.

  Por que você também não colabora com as obras de Padre Piamarta?

      6. Também a promoção da cultura cristã foi cultivada pela editora Queriniana, que contribuiu, com a sua abertura internacional, à renovação da espiritualidade e do pensamento teológico segundo o espírito do Concílio Vaticano II. As primeiríssimas obras do teólogo Ratzinger, atual papa, foram dadas a conhecer na Itália pela Queriniana.

       7. No dia 12 de outubro de 1997, a Igreja reconheceu oficialmente a vida santa e exemplar de Padre Piamarta, declarando-o Beato. O pobre garoto bresciano entrou rico no céu. O humilde padre foi exaltado pela Igreja e pela multidão jubilosa dos seus filhos. Aquele que se fatigou e sofreu, muitas vezes não compreendido, entra no grupo daqueles que podem ajudar a nós, que estamos em caminho, a fazer a nossa parte para tornar mais humana a vida dos jovens, na compreensão das suas dificuldades e da sua dignidade de filhos de Deus.

       8. Oremos:

      Ó Deus misericordioso que suscitastes no Bem aventurado Padre João Piamarta, sacerdote iluminado e fervoroso, a solicitude pela educação dos jovens à vida cristã, no trabalho, na família, na sociedade, concedei que pela sua intercessão possamos viver e agir no vosso amor providente de Pai para conseguirmos a bem-aventurança eterna. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
 

venerdì 5 luglio 2013

283 - ONTEM E AMANHÃ

Primeiro encontro com padre Piamarta - Pier Giordano Cabra

Capítulo Décimo

1. Dia 16 de junho de 1912: um triunfo. No Instituto Artigianelli celebra-se o vigésimo quinto aniversário da fundação do Instituto. É uma avalanche de reconhecimentos: cartas e telegramas de toda parte, ex-alunos que acorrem em massa, presença de autoridades civis e religiosas, testemunhos emocionantes do imenso bem realizado: todos aplaudem e unem-se para festejar “a fundação deste grandioso Instituto que custou tantas dificuldades e fadigas, tantos suores e sacrifícios”, mas que está sendo coroado “por uma imensa quantidade de queridos jovens, que cresceram e saíram como verdadeiros cristãos”.

2. O Instituto agora está verdadeiramente belo e grandioso. Da primeira casinha até hoje, os edifícios se multiplicaram, para serem completados com vastos pórticos e a bela igreja em 1907. Padre Piamarta escuta, mas parece ausente. A mente dele vai aos benfeitores, sem os quais não teria feito nada. Admira a generosidade deles, mas também a confiança oferecida a ele, sem títulos e experiências anteriores. “A gratidão deve ser a primeira virtude do Instituto”, continuará ele repetindo. Os recorda um por um, em especial os irmãos Marietta e Angelo Muzzarelli, junto com todas as humildes pessoas que dedicaram sua vida aos seus meninos, a partir de Felipa Freggia, a mãe dos primeiros tempos.

3. É feliz com o belo grupo de sacerdotes e religiosos irmãos que o cercam e garantem a continuidade da obra. Ele sabe que esta família é o presente mais precioso que o Senhor podia-lhe oferecer. Os vê ricos de verdadeiro espírito sacerdotal e religioso e os vê práticos e ativos, sensíveis aos pobres. “Agora o teu servo pode ir em paz”, murmura ele bem baixinho, “ porque os meus olhos viram a salvação, preparada” para tantos jovens e garantida também após minha partida.

4. Seu mais querido amigo, aquele da precoce aventura sobre o monte Madalena (lembram?), tinha-lhe escrito poucos dias antes: “Seu ânimo sensibilíssimo merece a mais afetuosa admiração por parte de todos os nossos concidadãos. Você tem justamente merecido o gozo de um paraíso antecipado”. “O paraíso no céu, talvez,” tinha-lhe respondido, “mas no sentido puramente humano, a obra não me deu outros frutos a não serem tribulações e espinhos sem nome, penas incríveis, desenganos de toda espécie”.

5. Justo em meio a essas dificuldades, a Providência sempre o tinha guiado e ajudado e ele tem possibilidade de reconhecer que a obra não foi querida por ele, e sim por Aquele que “provê aos menores entre seus filhos”, e que escolheu a ele, pobre padre, “uma mancha de tinta do livro de ouro da caridade”, a fim de demonstrar que nós somos instrumentos na mão onipotente do Altíssimo. Por isso recomenda para “não apoiar-se unicamente sobre cálculos humanos”, mas “confiar sempre na infalível ajuda”, que manterá viva a sua obra, até quando a considerarmos Sua.

6. Olhando para frente no tempo, ele sente-se seguro que tantas fadigas não foram inúteis e que ele, “servo inútil e preguiçoso”, conseguirá ser mais útil de lá “do seio de Jesus bendito” de onde poderá acompanhar melhor “a contínua, progressiva prosperidade da obra” que o Senhor lhe tem posto entre as mãos e que ele está pronto a nas mãos de seus sucessores.

          7. Os aplausos o fazem sorrir, mas ele pensa naqueles jovens que poderia ter ajudado, mas não conseguiu como aqueles que hoje não vieram e que ele estava esperando. “Chegou o tempo de rezar mais por eles, porque se hoje não os vi aqui, deverei vê-los no Paraíso”.
No Paraíso entrará aos 25 de abril de 1913.

mercoledì 3 luglio 2013

278 - OU APÓSTOLOS OU APÓSTATAS

   Primeiro encontro com padre Piamarta - Pier Giordano Cabra
 
Capitulo Nono
 
      1. Padre Piamarta quer que os seus jovens sejam livres e fortes. Livres para não serem plagiados pela mentalidade corrente, fortes para agirem retamente, mesmo à custa de distinguir-se da massa. Livres para não serem absorvidos pela multidão, fortes para serem líderes. Os tempos dele eram tempos de contrastes sociais e políticos, entre liberalismo e socialismo, o primeiro preocupado pela liberdade, o segundo pela igualdade. Piamarta de maneira essencial dizia aos seus jovens que é necessário “ser livres para servir”, insistindo sobre as virtudes cívicas, a partir da honestidade, do sentido do dever, do sentir-se obrigado pela palavra dada, pela participação na vida pública, pelo sentido do serviço. A quem lhe dizia que ele falava pouco dos direitos, respondia que para aprender os próprios direitos basta uma semana, para aprender os próprios deveres não basta uma vida.

     2. Estava também convencido de que, na sociedade moderna, ou o jovem empenha-se como um apóstolo ou corre o risco de tornar-se apóstata. Ou se compromete ou se apaga. Ou ilumina ou é absorvido pela escuridão. Para ele o jovem é apostolo quando não se envergonha de ser cristão e, ainda mais, quando honra o nome de cristão com seu comportamento. Apóstolo é aquele que presta atenção às necessidades dos outros e está disposto a incomodar-se para fazer o que é possível ele fazer. Em 1902, fica sabendo que se quer impedir a procissão de Corpus Christi na cidade. Convoca então os seus jovens e os organiza em defesa do percurso. Ninguém teve a ousadia de colocar obstáculos. É apóstolo quem está disposto a pagar pessoalmente pelas próprias idéias. É apóstolo aquele que ”não segue o caminho dos ímpios, mas caminha na lei do Senhor”.

       3. Não queria jovens mal-humorados, tristes, pessimistas, introvertidos, sisudos. Ele repetia para eles as “máximas de São Felipe”, que são rápidas e simples frases de sabedoria humana e cristã, nascidas de profundas meditações espirituais e da escola da vida:
- Filhos, sejam alegres: escrúpulos e melancolia, fora da minha casa.
- Felizes vocês jovens, que tem tempo para fazer o bem.
- Precisa trabalhar, precisa trabalhar: Deus não sabe o que fazer com os preguiçoso
- Sejam bons se puderem!
   - O homem que não reza é um animal sem razão.
- Façam tudo, mas não façam pecados.

4. E incentivava toda a livre expressão de alegria, alternando ao duro dever quotidiano os animados recreios, os passeios, o canto coral, a banda musical e o teatro; alcançando nestes últimos setores, níveis de excelência bem reconhecidos na cidade e na província. Por ocasião da imponente inauguração do monumento ao Redentor sobre o monte Guilherme, em 20 de agosto de 1902, foi convidada especialmente a banda dos Artigianelli. Jornada memorável: estava presente, aplaudindo, o menino João Batista Montini, destinado a tornar-se famoso. À distância de um século aquele menino tornou-se presente de novo naquele lugar, em uma estátua que o representa nas vestes do Romano Pontífice, Paulo VI. Talvez nas solitárias e límpidas noites estreladas, às vezes ele gosta de escutar novamente aquelas notas alegres e solenes que Padre Piamarta levou consigo lá no céu, como homenagem dos seus jovens ao Redentor do mundo!
 

sabato 29 giugno 2013

273 - UMA FAMÍLIA PARA AS FAMÍLIAS

Primeiro encontro com padre Piamarta - Pier Giordano Cabra

 Capítulo Oitavo 

1. Padre Piamarta, no início do Instituto Artigianelli tinha encontrado dois jovens colaboradores extraordinários: o seminarista Bongiorni e Dominatore Mainetti, destinados a tornar-se, o primeiro, Bispo Auxiliar, o secundo, Prefeito de Brescia. Sempre entre os primeiros colaboradores, foram preciosos alguns ex-pavonianos, que estavam vivendo juntos a Monsenhor Capretti. Alguns sacerdotes e leigos e, em seguida, alguns alunos uniram-se a ele para compartilhar sua missão e sua vida laboriosa, comprometida e absorvente.

2. O Padre, porém, queria ao seu redor algo mais do que um grupo de colaboradores. Ele queria criar uma comunidade estável que fosse como uma família, em que vive-se juntos, reza-se juntos, trabalha-se juntos e ajuda-se reciprocamente. Este ambiente teria contribuído para fazer respirar o clima de família aos jovens, ou seja, quase para “dar uma família a quem não tem” e para preparar os jovens àquelas atitudes de respeito, de acolhida, de atenção, premissas estas insubstituíveis para a criação de uma família.

     3. E eis que nasce a Congregação Santa Família de Nazaré, constituída por um grupo de sacerdotes e leigos que se empenham em dedicar a vida toda ao serviço de Deus e dos jovens, inspirando-se ao modelo da Santa Família. A Santa Família leva a viver um estilo fraterno, que se expressa - como fala o Padre – “na paciência, caridade, cordialidade, procurando ser entre nós afáveis, abundar e superabundar em doçura. Este espírito deve penetrar no profundo do coração da nossa santa Instituição”.
Uma família estável, destinada a renovar-se e dar continuidade à sua obra no tempo.

   4. A Santa Família torna-se então “a Família para as famílias”: seja para a religiosa, seja aquela com e para os jovens, seja para aquela família que os jovens um dia irão formar.

5. Numa família não pode faltar o elemento feminino. E o Padre, junto com a Madre Elisa Baldo, dá início também às “Auxiliares da Santa Família”, que depois assumirão o nome de “Humildes Servas do Senhor”, uma congregação que se tornou insubstituível colaboradora e apoio nas obras piamartinas por numerosos decênios e à qual vai toda a admirada gratidão dos filhos de Padre Piamarta.

     6. O modelo escolhido é então a Santa Família de Nazaré: a referência a Nazaré não é por acaso. Nazaré é também o lugar onde o trabalho está sendo santificado, porque aí trabalhou manualmente o Filho de Deus. Se a exaltação cultural do trabalho torna-se necessária para redescobrir sua eminente dignidade, as potencialidades de realização da pessoa e a contribuição para sociedade e ao progresso, todavia não é suficiente para cancelar o aspecto desgastante, a fadiga e as decepções que o acompanham. O Olhar para Nazaré ajuda a colocar o trabalho na perspectiva certa da participação do trabalho redentor da Santa Família.

      7. Padre Piamarta convida para ir espiritualmente a Nazaré também para descobrir o valor da quotidianidade: para quem olha a Nazaré, a obscuridade do quotidiano, “o terrível quotidiano”  ilumina-se  e ganha uma nova dimensão. Em Nazaré, longe dos refletores, estava crescendo o Filho de Deus. Na monotonia do quotidiano somos convidados a descobrir o Filho de Deus que deseja crescer em nós para termos luz e paz e para levar aos outros, luz e paz.
 

venerdì 28 giugno 2013

270 - OS IMBECIS E A AGRICULTURA

Primeiro encontro com padre Piamarta - Pier Giordano Cabra
 
       Capítulo Sétimo

1. “Todos os imbecis acreditam ter sucesso na agricultura”. Anos atrás quem entrava no Instituto Bonsignori, em Remedello, encontrava escrita com letra bela e grande, à sua direita, esta sentença. A frase não era do Bonsignori, mas expressava muito bem o conceito que ele tinha da agricultura, por ele pensada como “arte, ciência e riqueza”.

2. Padre Bonsignori era um pároco estudioso, que se tinha tornado especialista agrônomo, pois era levado pela preocupação de vencer a extrema pobreza de seu povo, prostrado pelas doenças causadas pela desnutrição, obrigado a emigrar  para fugir da fome. “Será possível, perguntava-se o inteligente pastor de almas, que a terra seja tão madrasta para não saciar a fome de seus filhos?”. Dedica-se aos estudos especializados dos mais acreditados estudiosos da Europa,  e encontra um método, o de Estanislau Solari, por ele aperfeiçoado, que consegue multiplicar quatro vezes e até seis vezes a produção de cereais e torna-se imediatamente o divulgador do método, chegando a merecer o título de “apóstolo da nova agricultura”. Suas obras de divulgação conseguem importante sucesso e vem sendo traduzidas também em outras línguas.

  3. Certo dia padre Giovanni Bonsignori fica para o almoço no instituto Artigianelli e, brilhante conversador, fala das maravilhas da nova agricultura, encantando os presentes. Padre Piamarta, que há tempo estava preocupado com o problema do êxodo da terra de tantos jovens, pensa logo: “Eis o homem que eu estava procurando”. E lhe propõe criar juntos uma escola em que estas idéias possam ser difundidas. Entre os aplausos dos presentes o pároco agrônomo aceita.

4. A idéia é genial. Mas... e os meios? Piamarta aguarda a chegada da Providência, que lhe faz ganhar a herança de bastantes hectares de terra. Nasce assim a Colônia Agrícola de Remedello, no sul de Brescia, que iniciará sua atividade em 1895, como escola prática de agricultura que em breve tempo será conhecida em toda a Itália, na França e Bélgica, de onde vem para formarem-se diretores de fazendas bem como pequenos e médios agricultores.

       5. Padre Piamarta realiza aqui seu sonho de “santidade social”, isto é, de contribuir para “melhorar a sociedade” através da recuperação do artesão e do agricultor e suas famílias. Aqui também o seu plano de formar homens completos se clarifica ulteriormente: Bonsignori se preocupará com a ciência e Piamarta com a consciência. O primeiro a arte de cultivar a terra, o segundo a arte de cultivar o coração. O primeiro a arte de produzir, o segundo a arte do bom uso da produção. Um formará o técnico procurado, o outro, o homem estimado. O primeiro, o empreendedor moderno, o segundo, o homem eterno. Um ensinará como encher os grandes celeiros de cereais da própria fazenda, o segundo como acumular para os depósitos da morada definitiva.

6. Piamarta deixa de fato ao Bonsignori a responsabilidade técnica e educativa da Colônia Agrícola e ficará na sombra, garantindo o apoio financeiro para os seus ousados experimentos. Mas ele faz-se presente nos momentos formativos religiosos dos jovens, preocupado de manter o equilíbrio entre cultura do campo e cultura do espírito.

7. A Colônia Agrícola, que mudará o nome para “Instituto Bonsignori”, permanecerá por vários decênios um ponto de referência exemplar para um grande número de agricultores, graças também a excelentes diretores que souberam atualizar a intuição inicial, promovendo apinhados “Congressos Agrários”, sustentando o periódico “A Família agrícola” e inovando também no setor zootécnico. Ainda hoje dá para ler no edifício central a frase: “Padre Piamarta para os filhos dos campos”: uma justa uma justa homenagem ao autor do crescimento humano e cristão dos jovens agricultores para os quais ele criou esta obra, única em seu gênero, favorecendo assim a genialidade do Bonsignori.
 

mercoledì 26 giugno 2013

267 - PIETAS ET LABOR

   Primeiro encontro com padre Piamarta - Pier Giordano Cabra
 
      Capítulo Sexto

   1. O Instituto nasce exatamente no coração do centro histórico da cidade, num ambiente que por mil anos tinha sido permeado pelo espírito de São Bento cujo lema era ora et labora. Napoleão tinha suprimido o mosteiro beneditino feminino de Santa Júlia e os locais estavam usados como quartel. O vasto pomar, ou horta, tinha ficado sem cultivo. É aí que Piamarta faz reviver o espírito beneditino, fazendo dele a cidadela do trabalho, aliás, do pietas et labor, da oração e do trabalho, do trabalho que brota da oração, de um trabalho que torna-se meio para ganhar a vida presente e a futura.

      2. O exemplo ele mesmo o dava: bem cedo em pé, lá pelas quatro horas da manhã. Duas horas, ou mais, de oração antes da Missa. Antes de abrir uma janela na terra, abria aquela do céu, para receber luz e força. Depois, o dia inteiro, pensando em tudo porque havia mesmo necessidade de tudo. De muitas coisas devia preocupar-se o Padre, coisas para as quais não tinha a mínima competência, mas se sentia no dever de tomar providência “por amor, só por amor” dos seus jovens. Como dizer não a uma mãe viúva com outros filhos sob sua responsabilidade que com lágrimas lhe pedia para acolher pelo menos um? Como não atender ao pároco que vinha trazer-lhe um garoto triste e temeroso, cujos pais haviam morrido? Como não encontrar um lugar para aquele rapaz de aparência  saudável, mas que não sabia onde dormir à noite? Para cada menino precisava um lugar na mesa, um no dormitório, um na oficina, um na escola, um na igreja, um no recreio. Precisava criar oficinas e laboratórios, adquirir maquinários; havia necessidade de colaboradores de confiança, precisavam benfeitores generosos, ele que tinha dificuldades para pedir.

     3. E à noite uma longa pausa na Igreja para agradecer depois de um dia todo atarefado com meninos, contratos, pedreiros, depois de tratar com pessoas que talvez o quisessem enganá-lo..., ele tão inexperiente destas coisas no começo! Os dias mais amargos eram aqueles em que tinha que dizer um doloroso “não” a algum pedido insistente para acolher a um novo menino: “não temos mais vagas!”.

    4. Havia comentários dizendo que logo iria à falência, sendo ele um “poeta da economia”..., mas no campo de trabalho aprendeu a economia sem perder a poesia das coisas elevadas do espírito da vida quotidiana.“Façamos economia para aceitar um órfão a mais”, dizia freqüentemente. “Se fizermos a nossa parte, a Providência fará a sua”.
 

martedì 25 giugno 2013

263 - MORREREI COM OS MEUS JOVENS


Primeiro encontro com padre Piamarta - Pier Giordano Cabra
 
Capítulo Quinto
              
      1. Monsenhor Pedro Capretti vinha de uma família rica, mas vivia pobremente com seus seminaristas pobres, isto é, com os aspirantes ao sacerdócio que não tinham possibilidade de pagar os estudos, a favor dos quais ele tinha posto a disposição os seus bens. Era um homem culto, previdente, ponto de referência das principais personalidades da cidade, entre as quais o bem-aventurado José Tovini e George Montini, pai do futuro Paulo VI. Padre Piamarta subia ao seminário Santo Cristo onde Monsenhor Capretti morava, para falar dos seus projetos. Eram amigos e se compreendiam. Estavam de acordo que seria bom ter uma obra que acolhesse jovens órfãos ou pobres ensinando-lhes uma profissão, assim como tinha feito anos atrás Ludovico Pavoni, iniciador da primeira escola gráfica na Itália. Eles discordavam acerca das modalidades: Piamarta queria a obra grande desde o início, Capretti a via mais modesta, pois ele teria que por a disposição o dinheiro.
 
    2. Parecia que a idéia estivesse para ter início, quando chegou improvisamente a nomeação de Padre Piamarta como pároco de Pavone Mella, na planície do rio Pó, a uns trinta quilômetros de Brescia. O bispo tinha necessidade de um homem forte para aquela paróquia. Protestos e descontentamento chegaram ao Bispo de Brescia por parte do Pároco e dos paroquianos de Santo Alexandre, que não queriam perder seu vigário, e também ele aflito, talvez mais que todos. Recebendo a nomeação de pároco de Pavone Mella com o encargo de vir de vez em quando na cidade, para dar início à obra projetada, Piamarta compreendia que o seu projeto não tinha sido entendido, por que para poder realizá-lo era preciso uma dedicação a tempo pleno e não só de uma pessoa, mas de muitas outras. Os santos, todavia sabem que justamente através da obediência Deus leva para frente seus planos. Ele é que tem os caminhos seguros, mesmo que freqüentemente obscuros, para levar adiante os seus planos. Os santos têm mais confiança no poder de Deus do que nas suas poucas forças. E assim Piamarta decide: “Eu obedeço, o resto deixo Deus fazer. Ele saberá realizar melhor do que eu os seus projetos. Se a obra é sua, ninguém a deterá”.

    3. Em Pavone Mella o novo pároco não perde tempo, suscitando entusiasmos e contrastes: mas como os aplausos não o exaltam assim a oposição não o fere. Interessa-se pelos pobres, tem uma palavra severa para os abusos, forte frente aos prepotentes, afável e amigo dos humildes. A viagem mais famosa é a de 03 de dezembro de 1886, quando celebrará a primeira missa com quatro meninos. È a data oficial do início do Instituto Artigianelli. Logo depois inicia uma série de amarguras: primeiro o pedido do bispo para que renuncie o encargo de pároco para dedicar-se à nova obra e logo depois a decisão do mesmo Bispo de abandonar a idéia, porque a obra não se sustentava. Monsenhor Capretti atravessava um momento de dificuldade econômica.
 
      4. Mas eis aqui a resposta do. Piamarta: “Se me permite, Excelência, eu desejo morrer com os meus jovens”. “O Bispo o olha e percebe naquelas palavras algo mais do que um desejo pessoal, vê diante de si um homem de fé, ouve a voz do Espírito que cria coisas novas e o abençoa dizendo: “O Senhor o assista”. A partir daquele momento Padre Piamarta se encontra sozinho, ele é quem deve pensar em tudo. Sabe que não tem recursos, mas tem a certeza de estar  iniciando uma obra que o Pai do Céu quer realizar para os seus filhos mais necessitados. E recomeça a trabalhar com confiança.
 
       5. O dia 03 de dezembro de 1886 não é somente a data de nascimento do Instituto Artigianelli, mas o dia em que Piamarta  torna-se Padre (Pai) Piamarta. Assim o chamam os quatro meninos entorno a quatro tigelas ao ver que para ele não tinha sobrado nada: “Pai” é a palavra que sai espontânea do coração daqueles jovens. “Padres-Pais” serão chamados seus continuadores que, como Ele, disseram “sim” ao convite de dedicar sua vida aos jovens.
 

lunedì 24 giugno 2013

259 - TUDO PARA TODOS

Primeiro encontro com padre Piamarta - Pier Giordano Cabra
 
   Capítulo Quarto

          1. “Tinha sido ordenado sacerdote aos 23 de dezembro de 1865 e celebrou a primeira missa no dia de Natal em Bedizzole, onde era pároco o ‘seu” padre Pezzana. Estava então com 24 anos e no dia seguinte ia a Carzago Riviera como vigário paroquial, ajudando o pároco. Padre Pezzana conseguiu tê-lo consigo pouco mais de um ano em Bedizzole e, em seguida, os dois foram transferidos para a paróquia de Santo Alexandre no centro da cidade de Brescia, sempre Padre Pezzana como pároco e Piamarta vigário. Estamos no ano de 1870.

         2. “Meu Deus, faça com que eu não seja um servo inútil”, tinha pedido no dia da primeira missa e bem cedo perceberam de que caráter era o jovem vigário. “Olha, é verdadeiramente um santo” andavam comentando. Em primeiro lugar os doentes que aguardavam suas visitas, depois as pessoas que desejavam conversar com ele, atraídas pela fama de sua sabedoria, e aquelas pregações tão tocantes, e como tinham melhorado as celebrações... e os jovens que não o abandonavam um minuto... o oratório, o famoso oratório de Santo Alexandre, iniciado pelo padre Piamarta.

       3. Em breve tempo todos falam dele. “Temos feito uma ótima aquisição”, falavam os homens. “Menos mal que alguém pensa nos nossos filhos”, falavam as mães... “Olha como está pálido”... ”e corre o dia todo”... ”É tão devoto”... ”Mas quanto os jovens gosta dele”... ”nunca para, é uma “prata viva!” “Tomara que o deixem conosco por muito tempo!”

        4. O oratório de Santo Alexandre dispunha como espaços a sacristia e um pequeno pátio, onde os jovens se encontravam com o vigário. Mas arrastou tantos e tantos jovens, deixando uma lembrança inesquecível daqueles anos. O vigário os reunia, lhes falava, organizava passeios, procuravam lugares onde podiam brincar. E criavam-se fortes amizades, vínculos indestrutíveis. Da coleção de cartas inerentes a este período é possível respirar um pouco da atmosfera daquele ambiente: “Para nós jovens aquele vigário era algo de especial, de extraordinário”... ”Suscitava em mim sentimentos de respeito, de admiração, devoção verdadeiramente extraordinária”... ”Queria salvar a juventude da indiferença e da perda da religião”. A um Advogado anticlerical que queria dar vida a um “centro recreativo leigo”, um amigo falou: ”Meu querido Advogado, enquanto nos oratórios há padres como Piamarta, é inútil você abrir seus “centros recreativos”.

    5. Mas o jovem vigário olhava também para outras realidades que o tocavam profundamente: ótima coisa o oratório, mas aos órfãos antes e depois do oratório quem é que pensa neles? E aqueles pobres jovens que entram no mundo do trabalho e devem adaptar-se a um “trabalho e a um salário miserável? E aqueles jovens que vem dos vales e dos campos à procura de trabalho aonde vão?
Ele via que muitos de seus jovens teriam tido a possibilidade de destacar-se na vida, se alguém os tivesse preparado ao trabalho, enquanto tinham que se adaptar a ocupações totalmente secundárias. Eis que nascem nele as duas grandes perguntas, sempre mais preocupantes: “Como tornar os jovens pobres protagonistas de seu futuro?” “Como dar uma família a quem não a tem?”
São perguntas que devem encontrar uma resposta. Padre Piamarta teria uma resposta, mas não tem os meios para realizá-la. Ele, porém, tem um amigo com quem pode falar disto. Começam assim os encontros com Monsenhor Capretti.
 

mercoledì 19 giugno 2013

256 - ENTRE AMOR E AMOR

Primeiro encontro com padre Piamarta - Pier Giordano Cabra

Capítulo Terceiro

       1. “Você possui muitas belas qualidades”, começa a dizer-lhe o Pároco Padre Pezzana “e poderia utilizá-las em fazer muito bem”. O garoto Piamarta é um tipo vivo e decidido: “Sim, gostaria de tornar-me padre, mas sou pobre e não saberia como conseguir”. “Acharemos uma solução... por enquanto comece a tomar na mão os livros... Eu serei seu mestre”. Padre Pancrácio Pezzana manteve a palavra: tornou-se mestre dele (e tinha para isso todos os títulos e a experiência), providenciou-lhe os livros e falou com uma Senhora, que permaneceu anônima, a qual irá pagar com regularidade os estudos dele até o fim.

            2. No entanto estava amadurecendo a unidade política da Itália, que suscitava muitas paixões das quais a cidade de Brescia tinha participado com suas célebres “dez jornadas”. Em 1859 a poucos quilômetros da cidade combatem-se as terríveis batalhas de São Martinho e Solferino com novas mortíferas armas que produzem um espantoso massacre. Brescia está sendo invadida por milhares de feridos, hospedados nas igrejas. Entre os voluntários que acorrem pra prestar ajuda está também o jovem Piamarta, generoso e ativo como sempre, já com seus dezoito anos.

            3. Generoso e ativo, mas quantas dificuldades têm que enfrentar, a partir dos estudos. Às vezes tinha medo de não conseguir, tão exigentes que eram para ele. Consolem-se meninos: também o jovem Piamarta teve que suar e       suar na escola. As suas notas ele teve que arrancar dos professores pela firme vontade de conseguir. Não era de certo o primeiro da sua turma, porque tinha que ler e reler, estudar e estudar para ficar na metade da média. A inteligência dele era prática que o levava mais para soluções concretas do que às especulações elevadas filosóficas ou teológicas. Mas queria chegar à meta custe o que custar e sendo necessário estudar, estudava mesmo. Sempre teve de fato o sentido da meta.

           4. E havia mais dificuldades, as que são próprias da juventude..., passou por todas. Tinha medo de ser indigno do grande ideal rumo ao qual tinha-se encaminhado, em certos momentos parecia-lhe impossível, reservado a pessoas bem melhores do que ele. Percebia-se longe daquilo que queria ser. Certo dia se apresenta ao seu Padre Pezzana e lhe diz que está encontrando-se em dificuldade. “Você gosta das moças?” questiona-lhe de imediato o seu interlocutor. “Gosto”, responde-lhe desarmado o jovem. “Bom... mas se o Senhor pedir, você estaria disposto em renunciar ao amor pelo Amor?” Um longo momento de pausa: “Se Ele me ajudar, me entrego todo a Ele”. E Padre Pezzana: “Se o Tudo lhe pede o seu pequeno tudo, é porque Ele quer dar-lhe o seu grande Tudo”. “A partir daquele momento tudo me pareceu mais fácil: senti-me livre, parecia-me voar”.

       5. Entretanto ele tinha conhecido uma personalidade fascinante, um santo simpaticíssimo, amigo dos jovens: São Felipe Néri, que vivera em Roma três séculos antes. Enquanto aos poucos lia as suas famosas “máximas” e vinha conhecendo seu modo de agir, compreendia que era pequeno, pequeno, um anão diante de um gigante. Mas sabia também que se um anão subir nos ombros de um gigante consegue enxergar mais longe “Eu queria ser como São Felipe: um santo que sabia viver com os jovens, tornando simpática a virtude e um amigo que os permitia ser jovens sem tornarem-se velhos no espírito, ajudando-os a enfrentar a vida com coragem e alegria”.

martedì 11 giugno 2013

252 - O TUDO NO TUDO

Primeiro encontro com padre Piamarta - Pier Giordano Cabra

     Capítulo Segundo
 
            1. No coração do jovem há de tudo. E há também o Tudo.
No coração do garoto Joãzinho, o Tudo “ilumina-se do imenso”: se Deus é tudo, porque não concentrar-se n’Ele? Se Ele é o Tudo, do que eu teria ainda necessidade?
E eis que um dia ele deixa a casa com um amigo, quase como uma fuga, para tentar a grande aventura de se tornarem eremitas sobre a montanha Madalena, próxima à cidade de Brescia, a pouco menos de mil metros de altura. Lá havia grutas as quais se dizia terem sido habitadas em tempos passados, por eremitas, cuja ocupação era a de “viverem sozinhos na presença só de Deus”.
Subiram às ocultas rumo ao alto e pararam um pouco, contemplaram o amplo panorama, mas em seguida disseram um ao outro: “E agora o que vamos fazer? Está chegando a noite, não temos nada para comer, começa a fazer frio... porque não descemos ?” E desceram correndo, antes da noite chegar.
Joãozinho compreendeu que a vida de eremita não era para ele, mas que orientar-se todo para o Tudo permanecia como o ideal para a sua vida.
 
       2. As horas livres da escola eram muitas e Joãozinho, vivíssimo, alegre, motivador, gostava de brincar na rua junto com os garotos do bairro. Brincavam de guerra, atiravam-se pedras e se machucavam. Eram dependentes dos mais malandros.
Ao falar desses anos dizia que ele estava para se tornar..., um verdadeiro malandrinho, se não tivesse encontrado o “oratório” de São Tomé que o encaminhou pelo caminho certo na vida, uma diversão saudável, além de momentos de instrução e bons exemplos que lhe mostravam o lado belo da vida. Sobretudo o ajudou a descobrir Jesus como o melhor e mais seguro de todos os amigos.
Estava assim sendo preparado para compreender a importância de estar com os jovens, para ajudá-los a crescerem num ambiente em que tivessem possibilidade de sentirem-se bem e aprenderem a fazer o bem.
 
        3. Entretanto o pai e o avô estão se perguntando o que fará quando crescer aquele menino vivaz e sonhador, com saúde bastante frágil. Concordam em enviá-lo como aprendiz com o Sr. Zanolini, um ótimo colchoeiro que o inicia na profissão dele. O garoto vai de bom gosto e consegue fazer-se bem querido. Experimenta o trabalho rotineiro, a fadiga dos horários, nove, dez horas por dia, com aquela pequena paga que é costume dar, como gorjeta, aos aprendizes.
                                                                                  
             4. Mas em breve dá para ver o seu enfraquecimento: mal alimentado? Ambiente malsão? Talvez não fosse trabalho para ele? Saúde fraca? O “patrão” é uma pessoa atenta e paterna: preocupa-se com a saúde dele e o envia a Vallio, um povoado que está a uns vinte quilômetros de Brescia, no meio do verde, em um vale salubre, a fim de mudar de ar e restabelecer-se. Aí, longe dos amigos e do horário de trabalho, começa a explorar os bosques, sozinho com sua bengala e seus pensamentos. Mas sente que dentro dele alguém o está acompanhando, que o amigo Jesus está a seu lado e com ele pode falar das coisas que mais estão em seu coração.
Sem nem perceber os passeios dele acabam na bela igreja paroquial em que entra para estar mais perto de seu Amigo e sentir melhor sua presença. Sentia-se feliz pelo crescer desta amizade e a cultivava com amor.
 
       5. Mas ao pároco de Vallio não passaram despercebidas essas freqüentes visitas à igreja daquele garoto da cidade, magrinho e vivaz, que se encontrava bem por estar, seja no grupinho dos meninos, seja no silêncio da igreja. E um dia o pára e lhe fala. Noutro dia também... e se convence de  estar na frente de um  garoto extraordinário com aparências ordinárias. Vê nele um chamado a fazer grandes coisas. E fez-lhe uma proposta.
 

lunedì 10 giugno 2013

249 - NADA ACONTECE POR ACASO

Primeiro encontro com padre Piamarta - Pier Giordano Cabra
 
     Capítulo Primeiro

       1. Nada na vida acontece por acaso. Menos ainda na vida dos santos. Na cidade de Brescia, na segunda metade dos anos de 1800, no auge da revolução industrial, fazia-se necessária uma intervenção especial entre os jovens, e eis que em 26 de novembro de 1841 nasceu uma criança, batizada no dia seguinte na igreja de São Faustino com o nome de João Batista, filho de José Piamarta e de Regina Ferrari.

       2.  O nosso pequeno João Batista, tendo que desenvolver a missão de ajudar os pobres, nasce pobre, cresce num ambiente pobre e experimentará as privações da pobreza. Queria ter um agasalho para defender-se melhor do frio, mas deve ficar satisfeito com a blusa de lã feita em casa pela mãe ... E os sapatos ... os bonitos sapatos ... mas só tem mesmo os tamancos de madeira. Tendo que compreender e ajudar os meninos difíceis, não teve um caráter fácil, para ele compreender que uma coisa é falar belas palavras, outra coisa é realizá-las. E que para crescer torna-se necessário fadigar-se e, muitas vezes, lutar contra si mesmo.

      3. Não era, porém, um caráter ruim, e sim um caráter não muito fácil: firme até mesmo teimoso, pronto a saltar e a estourar quando alguma coisa não era do gosto dele. Mas a mãe Regina vigiava e não deixava passar as coisas sem intervir. Como aquela vez que o nosso garotinho de seis ou sete anos deixou aí sobre a mesa a sopa, porque não gostava dela. A mãe, na manhã seguinte, preparou para ele só aquela mesma tigela recusada. Ao meio dia, ainda o mesmo prato e a mesma reação dele, e assim também à noite, até que o jovem contestador teve que ceder e aprender que o “querer” não é sempre possível  ser realizado. Aprendeu que na vida a primeira coisa é saber mudar a si mesmo, antes de mudar as coisas fora de nós. Pois nem sempre dá para mudar ou melhorar os outros ou as coisas, mas sempre temos possibilidade de melhorar a nós mesmos.

     4. A mãe o levava consigo às celebrações na grande igreja de São Faustino. Não havia necessidade de um longo caminho, porque moravam quase em frente à mesma igreja: só tinham que atravessar a ponte. Ele gostava de participar das cerimônias, também porque, sendo dotado de voz belíssima, reservavam-lhe a honra de solista no coral. A mãe o levava diante do altar de Nossa Senhora e dizia-lhe que Ela é a mãe de todos. Ele nunca esquecerá isso e repetirá mil e mil vezes esta lição consoladora, que se tinha tornado uma doce experiência do coração.

       5. Aos nove anos a morte passa pela primeira vez na vida dele e lhe tira a pessoa mais querida, a queridíssima mãe Regina. O pai é barbeiro e fica fora de casa o dia todo. Quando volta, à noite, às vezes depois de um copo de vinho perde até o controle. Tendo que cuidar dos órfãos, João está preparado para experimentar na própria pele o que significa ficar órfão muito cedo, sofrer em silêncio a solidão, perceber que não há ninguém que se interesse com você, que está à sua espera em casa, uma casa que se torna improvisamente vazia e silenciosa.

     6. Do Joãozinho interessa-se como pode o avô materno, que à noite o encanta com os contos da História Sagrada, isto é com episódios da Bíblia. Os contos narrados pelos avôs foram por séculos as telenovelas ou as fictions televisivas de hoje Ele acabará se apaixonando tanto com esta História que se tornará um hábil e muito desejado narrador aos seus jovens, os quais recordarão por muito tempo os intrigantes contos, com as incisivas conclusões para a vida.
 
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